Periferias no centro da atenção 387 Assim como a internet se reconfigura em consonância com o escopo da globalização econômica, as regras para distribuir conteúdo se acomodam às demandas de grupos hegemônicos que perpetuam o direcionamento ou a tentativa de direcionar a atenção dos públicos para mensagens que privilegiam o“senso comum”, em detrimento das causas advindas de grupos periféricos. Em articulação com o ambiente digital, tais sujeitos buscam visibilidade, participação política e inserção no circuito midiático da atenção, ora desafiando e enfrentando as noções estabelecidas por grupos hegemônicos, ora tecendo estratégias para manutenção de status e sobrevivência, em articulação com as regras e estruturas inerentes à plataformização e ao poder midiático. Com o estabelecimento de redes comunitárias midiatizadas e a(re)apropriação dessa esfera pública por iniciativas comunitárias, observamos que a instauração de projetos como o VOZ possibilita compreender oportunidades de representação periférica(ou ao menos a tentativa de) que se tornam factíveis e perenes na sociedade, a despeito de todos os impedimentos que se acumulam na história da mídia comunitária no Brasil e com matizes a considerar em relação às disputas de forças, superando a dicotomia dominância e resistência por meio de“astúcias” populares. Considerações finais: pensar periferias e comunicação a partir de políticas públicas efetivas Os vínculos estabelecidos com a comunidade local, assim como as relações constituídas com a sociedade em geral, se dinamizam em outras frentes. Reconhecer esse lugar de fala(e de ação!) enquanto veículo local atuante nas periferias demonstra ser uma estratégia efetiva para promover o fortalecimento de práticas perenes, que gerem benefícios e resultados materiais que gradualmente possam alterar as estruturas conservadoras de desigualdades para gerar justiça social. Por meio de estudos voltados para formas de comunicação advindas do povo, a contribuição de Martín-Barbero(1997) supera as análises de pura opressão denunciadas pelas teorias clássicas, a despeito das estruturas hegemônicas. Sendo assim, a permanência e sobrevivência de iniciativas de comunicação local podem ser recebidas como oportunidades de vivência de escape,
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