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Periferias no plural
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388 Periferias no plural movimentos diversos que surgem na cotidianidade, por meio de formas de reivindicação de direitos e luta exercida pelo povo. Mesmo assim, tal como os conglomerados midiáticos em torno da radiodi­fusão ainda hoje consistem em entraves para o livre fluxo comunicacional, as plataformas digitais, como instrumentos de poder controlados pelos conglo­merados que atuam na internet, se colocam como desafios a ser transpostos em relação a processos regulatórios que permitam uma participação igualitária. Sobre esse aspecto, os recursos possibilitados pela internet tornam ainda mais latente a atuação de movimentos sociais e iniciativas de comunicação para mudança social, ensejando a atenção e sensibilização da sociedade para causas até então invisíveis ou mesmo obliteradas pelo grande volume de informação. Apesar do acesso às tecnologias ainda ser um desafio em áreas mais afasta­das das regiões metropolitanas, é inegável que o aumento da penetração desses dispositivos junto à sociedade viabiliza a apropriação social e novas configu­rações de fluxos comunicacionais. Portanto, deve ser considerado o acesso às tecnologias e sua influência nos movimentos sociais como contribuição para a construção de atividades coletivas, que possibilitam amplificar a participação e o engajamento. Para o pensamento gramsciano, a proximidade entre os intelectuais e o povo é uma proposta capaz de difundir conhecimento, reconfigurar o senso comum e forjar uma práxis que a partir do pensamento crítico viabilize a ação. O autor marxista, que também atuou como jornalista ao longo de sua carreira profissional, reforça que todos os homens são intelectuais, embora nem todos desempenhem a função de intelectuais(gramsci, 2001, p. 18). Crítico árduo do jornalismo e, também, apaixonado pelo potencial da profissão, Gramsci elaborou análises aprofundadas sobre o papel dos intelectuais para a mobiliza­ção política. Escritos quase 90 anos, os estudos de Gramsci proporcionam contribuições para a comunicação não hegemônica e, portanto, para o brado de voz das periferias que disputam espaço na arena da atenção. A partir desse entendimento, é possível localizar a relevância da comuni­cação comunitária e da constituição de pensamento crítico, a partir de ini­ciativas advindas de lideranças locais e atentas às necessidades das periferias. Mesmo diante do cenário hegemônico, alternativas podem ser traçadas e apre­endidas das estruturas sociais cotidianas, das mudanças espaço-temporais, da