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Periferias no plural
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404 Periferias no plural Neste sentido, a construção da ancestralidade que aparece nas produções de conhecimento dos Slams permite que os poetas-slammers reformulem: 1) contra-Histórias(hartman, 2020), uma vez que a partir de referências contra­-hegemônicas torna-se possível também reconstruir outras histórias, conforme Saidyia Hartman propõe, através de fragmentos que não compõem a história hegemônica, mas podem compor uma versão que repense a perversidade da hegemonia que deliberadamente produz uma história única, inclusive a partir de metodologias convencionais, como as pesquisas em arquivos cujos docu­mentos foram escritos por nossos colonizadores; 2) constituição de sujeitos: sankofa indica como para conhecer a si mesmo, é necessário conhecer o pró­prio passado e seus ancestrais, pois a caminhada é sempre uma continuidade dos pés que caminharam antes e os sujeitos são povoados por entes, lutas e lutos; 3) reencantamento de si a partir do axé que compõem essas referências ancestrais; 4) reconstrução e elevação da autoestima que é massacrada ao lon­go das experiências negras; 5) corrói a noção de indivíduo que foi cunhada por esse sistema branco-ocidental, reformulando, portanto, a noção de pessoa e reitera a noção de coletividade, de pessoa povoada(múltipla), corpo(s) e existência. Performances A performance é um espaço de circulação de axé, trocas e povoações. À me­dida que o/a poeta recita, reencanta sua poesia e seu corpo, por outro lado, conhecimentos são produzidos e redes de apoio e referências são alimentadas. Os/as poetas, segundo Tawane, são alimentados pela energia do público, que, em contrapartida, se macumba também com a narrativa-saber do/da poeta mandingada de axé. Acerca de tudo que foi exposto aqui, as performances dos/das poetas recitando são também centrais para pensar essas produções de conhecimento pois reitera a noção de escrevivência, a partir da dobra da palavra, ancestrali­dade e materialidade desses corpos. A performance é a própria materialidade dessas ideias que tentei conceituar ao longo do desenvolvimento do artigo, e instrumentaliza tais conceitos assentados na corporalidade que diz, que fala, que recita, que está alicerçada no mundo e na vida. A relevância da perfor-