Slams Batalhas de poesia, Congá, encruzilhada e laboratório 411 Enquanto congá: espaço do sagrado, chão firmado, onde a mágica das macumbas de(re)existências acontece, onde, com a pedra de defunto 18 risca-se o ponto 19 da vida. E também, enquanto laboratório: lugar onde os saberes são vocalizados, avivados, reavivados, imantados com axé e firmados na existência do poeta – ou seja: a morte foi engambelada, e com isso, o saber de um corpo-outro é mandingado pelo axé que transita pelas fissuras do banzo . O saber que(re)existiu apesar do epistemicídio e genocídio dos nossos ancestrais, apesar da negligência da nossa relação com a literatura, apesar da precarização da educação que tenta fortemente nos afastar da literatura. Considerações finais Ao longo do desenvolvimento, busquei tecer o modo como a produção científica operou formas de silenciamento às populações negras, sem descartar completamente essas produções – isto é, sem cair em emaranhados de negacionismo. Foi central para este artigo não pensar em um saber em detrimento de outro, justamente porque este movimento de sobreposição, e, consequentemente, marginalização de determinados conhecimentos, é a forma pela qual o Colonialismo opera. As apostas teórico-metodológicas de trazer raps , pontos e poesias para compor o arcabouço referencial, tal como introduzir elementos e vocabulário afrorreligioso, sem necessariamente defini-los de forma clara, foram uma experiência interessante e seus resultados talvez sejam vistos a longo prazo. Sobretudo, com a implementação de cotas raciais e as pressões destes estudantes que, anteriormente eram“objetos” de estudo e agora estão na posição de pesquisadores, faz com que este movimento seja também uma forma de transgredir os engessamentos que a universidade conserva, sem repensar efetivamente de que forma a fala e a escrita segregam esses sujeitos racializados. Os conceitos de genocídio, epistemicídio, ginga epistemológica, dobra da pa18 Exus costumam chamar as pembas de pedra de defunto; pemba é um tipo de giz usado nas religiões de matrizes afro-brasileiras, as quais as entidades usam para riscar seus pontos quando vêm em terra. 19 Os pontos riscados são a identidade da entidade que o riscou e é uma representação sagrada de que a entidade visitou aquele lugar. Neste sentido, o/a/e poeta riscar seu ponto da vida, seria fazer uma marcação sagrada de que sua vida esteve naquele lugar.
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