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Periferias no plural
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Periferias econômicas 451 Aqui se, então, uma segunda dimensão das periferias econômicas: não apenas a escassez ou exclusão de formas de trabalho e renda constituem perife­rias econômicas, mas o próprio trabalho e a renda gerada a partir desse traba­lho que não é regulado pela organização do trabalho capitalista é periferizado. Nessa dimensão se incluem as situações em que algum trabalho e alguma renda, no entanto, a existência de ambos não resulta para o trabalhador em condições dignas de trabalho e renda adequada, mas em reiterada exclusão. O caso mais emblemático e atual de periferização econômica e atribuição de não valor ao trabalho é aquele dos milhares de trabalhadores e trabalhado­ras que trabalham para as grandes plataformas digitais, mas que não são con­sideradas por elas como trabalhadores. Trata-se de um segmento econômico determinante para a logística e para a reprodução social do capital, que opera com a tecnologia mais avançada e de ponta, com algoritmos ultrassofistica­dos, mas que mantém relações de trabalho pré-capitalistas. Ainda assim, é um segmento que cresce: entre 2016 e 2021 o número de trabalhadores via apli­cativos no Brasil cresceu 979,8% apenas no setor de delivery ; em cinco anos eles passaram de 30 mil para 278 mil, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(Ipea). Esses entregadores de aplicativos vivem sobre a égide de algoritmos desenvolvidos por tecnologias de última geração, no en­tanto, os que operam de fato o dispositivo logístico que liga consumidor e produtor, não têm nenhum vínculo trabalhista ou contratual, tampouco man­tém contato com a empresa para a qual presta serviço; seus únicos contatos são com dispositivos de inteligência artificial que produzem respostas padrões e robóticas aos seus questionamentos sobre o trabalho humano. Na continuação das explicações sobre o trabalho, conforme explica Marx, o sociometabolismo do capital se organiza e se retroalimenta por meio da or­ganização do trabalho e da produção humana, em que o resultado(objeto) do trabalho é estranho ao trabalhador que o produz, como se não fosse a mani­festação material da criatividade humana. O trabalho torna-se no capitalismo apenas um meio de subsistência. O estranhamento entre o trabalhador e seu objeto de trabalho se expande, também, para o conjunto do processo produ­tivo, no qual o trabalhador não controla nem o ritmo, nem as formas pelas quais o trabalho social se realiza. Quem detém o poder de regular o processo produtivo é o ente de fora da produção, ou seja, são os donos dos meios de