Afeto, circularidade e saúde mental das mulheres negras Desatando os nós Entre Nós Ana Luísa Coelho Moreira 1 Introdução “Iansã soprou ao vento e os ouvidos puderam captar: queres desatar seus nós? Busque as suas, pois o que há em você também pode ser que esteja nelas. Sabores e dissabores sobre saber-se ser mulher e negra. Faça circular! Entoe o seu canto, o seu banzo e a sua reza, que levarei em minha ventania”. Este texto vem, em um movimento circular, falar sobre a experiência de um grupo de mulheres negras que se reuniram virtualmente para ler, estudar e dialogar sobre a negritude e o universo feminino que nos compõe, a partir de leituras de e sobre mulheres negras da diáspora. Ao longo de oito encontros semanais – no epicentro da mistura de ondas da pandemia causada pela Covid-19 – alguns nós começaram a se desatar em circularidade de palavras EntreNós. Os momentos vivenciados propiciaram mergulhos em lugares profundos, muitas vezes evitados internamente por cada uma, possibilitando transformações e ressignificações sobre a compreensão da existência feminina 1 Psicóloga. Doutora em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade de Brasília. Mestre em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional. Integrante da Articulação Nacional de Psicólogas/os Negras/os e Pesquisadores – núcleo Distrito Federal. Pesquisadora nas temáticas sobre mulheres negras, subjetividade, negritude, corpo-oralidade, interseccionalidade, políticas públicas, situação de rua, deficiência e vulnerabilidades.
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