FES BRIEFING COMO A CRISE DO CORONAVÍRUS EXPÕE OS DESAFIOS GERACIONAIS Luiza Dulci Abril 2020 A condição de vulnerabilidade social, econômica e política torna as juventudes um dos grupos mais afetados pela crise. AS JUVENTUDES E AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE JUVENTUDE NO BRASIL No fim de janeiro de 2020 ocorreram os primeiros casos de pessoas contaminadas pela covid-19 no Brasil. Desde então, postagens nas mídias sociais defendem a tese da natureza democrática do vírus, ressaltando que ele acomete a todos sem preconceito. O avanço da pandemia no país mostra, no entanto, que essa ideia não condiz com a realidade. Além dos grupos mais afeitos ao risco de desenvolver a doença e chegar a óbito(idosos, pessoas com deficiências imunológicas e respiratórias, dentre outros), vemos que fragilidades socioeconômicas são um forte componente para sua disseminação em larga escala. Isto é, o vírus e a covid-19 afetam de maneira distinta os variados grupos sociais. Por essas e outras razões, vale uma análise mais detida sobre seus possíveis impactos em um dos segmentos da sociedade brasileira pouco analisado: a juventude, ou melhor as juventudes. Na medida que não compõem o segmento prioritário do grupo de risco do ponto de vista da saúde— apesar do crescente número de óbitos entre jovens em diversos países—, muitas análises não têm levado em conta os efeitos desta pandemia sobre os jovens. Contudo, a condição de vulnerabilidade social, econômica e política torna as juventudes um dos grupos mais afetados pela crise. Se os efeitos no presente já se mostram devastadores, é importante considerar ainda as consequências que estão por vir. As dimensões da crise nos levam a crer que teremos anos, ou até mesmo décadas, de reconstrução pela frente. Nesse contexto, tanto no médio como no longo prazos, os jovens estão entre aqueles que sofrerão mais e por mais tempo. De acordo com o Estatuto da Juventude(Lei n. 12.852/2013) são jovens as pessoas entre 15 e 29 anos de idade. Segundo dados do IBGE de 2017, elas somam 48,5 milhões de brasileiros, 23,4% do total da população. São mulheres, homens, brancos, pretos, pardos, indígenas e quilombolas, LGBT, religiosos e ateus, da cidade e do campo, das florestas e das águas, com terra e sem terra, estudantes, trabalhadores, subempregados e desempregados. A pluralidade que caracteriza a juventude contrasta com o tratamento por ela recebido no âmbito das políticas públicas. Até muito recentemente as agendas governamentais dedicadas à juventude eram circunscritas a um conjunto restrito de ações, focado sobretudo nas áreas educacional e disciplinar. No Brasil, o ano de 2005 inaugurou a agenda das políticas públicas de juventude no governo federal, com a criação da SNJ(Secretaria Nacional de Juventude), do Conjuve(Conselho Nacional de Juventude) e do ProJovem(Programa Nacional de Inclusão de Jovens). Em 2010, foi aprovada a Emenda Constitucional 65, que inseriu na Constituição Federal o termo jovem; e em 2013 foi sancionado o Estatuto da Juventude. Nesse período, a juventude brasileira foi também objeto de políticas nas áreas de cultura, saúde, segurança, trabalho e emprego, agricultura familiar e reforma agrária, igualdade racial, promoção dos direitos das mulheres, dentre outras. Merecem destaque as conquistas educacionais. Entre 2004 e 2014, cresceu de 32,9% para 58,5% o acesso de jovens de 18 a 24 anos ao ensino superior. Regionalmente, o maior crescimento ocorreu no Nordeste (16,4% para 45,5%). Já considerando a variável raça, observou-se aumento de 16,6% para 45,5% entre negros e de 1
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Como a crise do coronavírus expõe os desafios geracionais
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