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A agenda política e as "guerras culturais" para evangélicos e católicos
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ANÁLISE 41/2018 A agenda política e asguerras culturais para evangélicos e católicos Esther Solano, Pablo Ortellado, Marcio Moretto e Leandro Ortunes M ARÇO DE 2018 No Brasil existe, hoje, um clima deguerras culturais, devido à crescente centra­lidade no debate público de temas morais como o aborto, a legalização das drogas, o aumento de penas para criminosos, direitos das mulheres, punitivísmo, valores religiosos, racismo, família ou o casamento homoafetivo e os direitos LGBT. Nes­se texto, expomos o resultado de duas pesquisas focalizadas no público católico e evangélico na base de um questionário com o objetivo de entender a adesão das populações investigadas a essas temáticas morais. Escolhemos a Marcha para Jesus e a peregrinação para o Santuário da Virgem Nossa Senhora de Aparecida. Constatamos que orosto do Brasil está mais representado na Marcha para Jesus do que nas manifestações das mobilizações políticas polarizadas ou em Aparecida. Os jovens, por exemplo, não estão nas manifestações da polarização, mas estão na Marcha para Jesus. A Marcha expressa um certo conservadorismo típico da socie­dade brasileira que é um pouco equilibrado por algumas poucas posições mais pro­gressistas. A grande presença de jovens no evento talvez explique a adesão à opiniões feministas, principalmente. Dentre os evangelicos entrevistados, uma maioria de 76,9% se disse não se iden­tificar com nenhum partido político. A confiança em legendas como o PSC(1,2%) e o PRB(0,4%), principais partidos dos políticos evangélicos, é surpreendentemente baixo. A Bancada Evangélica é pouco conhecida e pouco considerada como repre­sentativa entre fiéis presentes na marcha. Apenas 20,05% afirmaram que a bancada os representa. Dentre os católicos, assim como os evangélicos, a maioria se define como conser­vadora: 39,6% como muito conservadores e apenas 19,3% como nada conservado­res. Sobre a intenção de voto para 2018, os votos nulos e brancos são os primeiros colocados, seguidos de Lula e Bolsonaro, como nas pesquisas nacionais. Uma diferença marcante entre os grupos que participaram da Marcha para Jesus e da peregrinação para Aparecida é a idade. Aqueles que participaram do evento evangélico são consideravelmente mais jovens, a média de idade foi de 34 anos con­tra 44 dos católicos.