Druckschrift 
Juventudes negras do Brasil : trajetórias e lutas : observatório de juventudes negras
Entstehung
Einzelbild herunterladen
 

Juventude tradicional de matriz africana [] () JUVENTUDE TRADICIONAL DE MATRIZ AFRICANA DA EXISTÊNCIA À RESISTÊNCIA À RESILIÊNCIA A BUSCA DE EMANCIPAÇÃO E AUTONOMIA Kitanji Mona Kilembeketa Loaba Nome da libertação- recebido ao ser iniciada na tradição de matriz africana lha de Mametu Ndandalakata, neta de mametu Loaba/ Juliana Goulart Nogueira- Bacharel em Gestão de Empresas com enfoque Recursos Humanos UNINOVE. Vice presidente da ZAGAIA. Coordenadora nanceira da Terra Viva «Que Zambi Npungo e todos meus ancestrais não permitam sair nenhuma inverdade pela minha boca» O artigo tem como referência a experiência, a oralidade, percepção e as oportunidades vividas por sujeitos integrantes dos povos tradicionais de Matriz Africana no Brasil, especialmente os Povos Bantu, quanto a juventude, sua autonomia, emancipação e continuidade. Para tanto vamos nortear este artigo em uma linha histórica traçada por estes sujeitos, que consiste em ancestralidade, virtualidade, atualidade e continuidade. Estes assuntos inter-relacionados permitiram o debate e constituíram um novo paradigma sobre as ações, as políticas e as percepções realizadas pelos povos tradicionais e pela sociedade brasileira como um todo. Na ancestralidade: em África detínhamos uma consciência coletiva sobre a existência, seguimos o principio Ubuntu:"Eu sou quem sou, porque somos todos nós. Enfrentando todas as adversidades, diversidades de costumes, tradições, ambientais de um território como o continente africano a partir de uma unica matriz com princípios comuns como dasolidariedade,circularidade, em que o ser não é inter-dependente, nem dependente, mas coletivo. Ser humano é ser coletivo. Esta humanidade coletiva, que encara que a mais frágil das formigas mantém a existência de todos, em que o sangue pesa mais que água, mas a água está compreendida em todos os sangues vegetal, animal ou mineral. No passar dos séculos esta consciência de humanidade contata com outras visões de mundo. O princípio de existência do cristão e da ciência, europeu, diz queexisto por que creio em Deus e sou a própria semelhança deste epenso, logo existo contrapõe-se a existência coletiva, são excludentes e dão margem a exploração de um ser em detrimento de outro. A escravidão nas Américas, que retirou a condição de humanidade dos africanos, fez parte de uma das mais audaciosas estratégias europeias de domínio e lucro. A seleção de seres como objetos que considerava: habilidades, força física, beleza, idade, sexo; num tráfico levava o corpo declarado pelo invasor de negro para terras distantes. Cabe refletirmos que os porões dos navios negreiros estavam cheios de jovens africanos de diferentes partes de África que acreditavam sim estar perdendo sua existência, não pelo conceito cristão nem do cientista, mas pelo Ubuntu: deixavam de existir porque perdiam sua coletividade. Não falavam a mesma língua, não tinham os mesmos costumes daqueles que dividiam o infortúnio de ser negro! Carregavam dentro de suas lembranças o princípio da solidariedade e o sopro de vida. Imagino meus ancestrais aqui chegados traçando, riscando em terra desconhecida seus círculos e símbolos para buscar a unidade e construir a existência da coletividade então a sua própria 58 Mobilização Nacional e Internacional