A JUVENTUDE NEGRA E O DESENVOLVIMENTO A juventude negra e o desenvolvimento Allyne Andrade É integrante da Associação de Mulheres Negras Aqualtune, advogada e mestranda em Direito pela Universidade de São Paulo. I- INTRODUÇÃO Ser jovem é uma experiência heterogênea que dependerá da origem social, do acesso a educação, da cor, do gênero e da orientação sexual de cada jovem. Ser um jovem negro da periferia, ou uma jovem negra quilombola, ou ainda um jovem indígena aldeado não deve significar a mesma coisa do que ser um jovem branco, morador dos bairros mais ricos da cidade. Do mesmo modo, ser um jovem pai ou mãe, responsável por um filho ou pelo sustento de sua família não deve significar a mesma coisa do que ser um jovem solteiro e sem filhos. Essas diferenças marcam a possibilidade desses jovens de desenvolver seus talentos e terem acesso a direitos como saúde, educação, moradia, trabalho? O presente texto trata de uma parcela específica da juventude, os jovens negros e negras, pensando o direito do jovem negro e da jovem negra desenvolver suas potencialidades e usufruir plenamente dos direitos previstos em nossa Constituição. O artigo está estruturado em 3 partes principais. Na primeira tratamos da juventude negra e suas especificidades. Em seguida, trataremos do desenvolvimento ao abordá-lo como um direito e como uma ferramenta para realização da igualdade e da justiça social. Por fim, a título de considerações finais, trataremos da busca do desenvolvimento integral, a fim de estabelecer quais são os principais passos para a conquista da igualdade racial e do pleno desenvolvimento das potencialidades de jovens negros e negras. II- O QUE É SER UM JOVEM NEGRO? Ser jovem, durante muito tempo, significou ser visto a partir de dois pontosdevista. O primeiro enxergava a juventude como um problema. O jovem não teria sua personalidade formada e, em razão disso, seria mais vulnerável a fatores que causam a desordem social como a drogadição, delinqüência e comportamentos de risco. O segundo vê o jovem como um indivíduo em transição, que deve ser educado e preparado para a vida adulta, para ser um cidadão“do bem”, cooperativo e tranquilo. Os jovens são“aqueles que chegam ao campo sem capital”, ou seja, sem os atributos valorizados pela sociedade. Ademais, a lógica de subordinação geracional cria a dificuldade, para os jovens, de conquistar um lugar de respeito dentro dos espaços públicos e privados. A partir da década de 1990 essa visão foi alterada e o jovem passou a ser pensado como um ser pleno, com especificidades e potencialidades. A sociedade civil e o Estado passaram a discutir políticas específicas para a juventude. É preciso lembrar, entretanto, que a experiência da juventude não é igual para todos os jovens. Várias diferenças como classe social, cor, orientação sexual, religião, nível de escolaridadee inserção no mercado de trabalho fazem com que a experiência de juventude seja desigual para os diversos jovens. Essas diferenças marcam não apenas o sentir sobre a juventude, mas também as perspectivas e oportunidades desse mesmo jovem, o que influi diretamente nas possibilidades dele desenvolver ou não suas potencialidades. De acordo com o censo demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) no ano de 2010, há 97 67 Politicas Publicas para Juventude
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Juventudes negras do Brasil : trajetórias e lutas : observatório de juventudes negras
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