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Juventudes negras do Brasil : trajetórias e lutas : observatório de juventudes negras
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Uma década de políticas de igualdade racial e juventude, para onde caminhamos?? UMA DÉCADA DE POLÍTICAS DE IGUALDADE RACIAL E JUVENTUDE, Ângela Guimarães Socióloga, atualmente Secretária­Adjunta Nacional de Juventude da Presidência da República PARA ONDE CAMINHAMOS?? O acúmulo das variadas formas de manifestação da juventude negra nas últimas décadas se constituiu num caldo social que abriu espaço para a conformação de um nítido campo dedemandas com atrizes e atores políticos bem delimitados: a defesa dos direitos das políticas públicas voltadas à juventude negra. Campo bastante diferenciado, pois até hábem pouco tempo podíamos identificar as demandas da juventude negra por vezes invisibilizadas ou de forma segmentada ora temos a luta contra violência racial, a luta por cotas nas universidades, a luta das jovens mulheres negras, a luta em defesa da cultura da periferia e no extremo oposto, um campo também em via de consolidação, de defesa de políticas públicas universais com enfoque geracional/juvenil que, embora reconhecendo a diversidade da juventude brasileira, apontava poucas ações concretas em direção à juventude negra. Assim, arriscamos asseverar que após o Encontro Nacional de Juventude Negra(ENJUNE)(1), este campo se alargou e deu passos maiores para o reconhecimento das demandas integraispleiteadas, o que foi fundamental para a institucionalização das políticas públicas voltadas a essa parcela da população e ao início da implementação de ações visando a garantia dos seus direitos fundamentais. Compreendendo o Enjune como marco fundamental para o reconhecimento, elaboração e implementação de políticas públicas destinadas à juventude negra de forma mais organizada e sistemática, cabe reconhecer algumas dessas políticas que antecederam ao citado encontro e que serviram como referência e acúmulo de experiência ao processo que se desenrolaria posteriormente. Para facilitar o entendimento, vamos voltar um pouco na história.... Durante as décadas de 1970 e 1980, houve o ressurgimento do movimento negro, mais conhecido como o movimento negro contemporâneo. Grandes e importantes entidades surgem neste período, muitas delas com pautas comuns denúncia da violência policial, do extermínio da juventude negra, da matança indiscriminada de crianças e jovens nas várias chacinas que o Brasil assistiu nas décadas de 1980 e 1990, do racismo na educação, no mundo do trabalho, dentre outros temas e a grande maioria formada pelas jovens negras e negros de então. Entretanto, diferente de hoje, não havia nitidez do enfoque geracional juvenil naqueles contextos. A denúncia era contra o fenômeno do racismo, havia pouca referência a essas questões como demandas específicas e singulares da juventude negra. Um pouco mais tarde, nas décadas de 1990 e início dos anos 2000, ganha força a luta pela democratização do ensino superior, em defesa das ações afirmativas, mais conhecidas como cotas raciais. Seminários nacionais de estudantes negros são realizados a exemplo do I SENUN em 1991(2), diversos núcleos de estudantes negros são formados, comitês pró-cotas são instaurados nas universidades, os movimentos de cursinhos pré-vestibulares para negros/as e população das periferias são organizados, enfim emerge uma bandeira forte, com poder de grande mobilização e que termina por ser responsável pela entrada de uma importante geração de ativistas jovens negras e negros 73 Politicas Publicas para Juventude