Juventude Negra frente ao processo de Genocídio do Povo Negro Brasileiro JUVENTUDE NEGRA FRENTE AO PROCESSO DE GENOCÍDIO DO POVO NEGRO BRASILEIRO Lula Rocha Coordenador do Fórum Estadual de Juventude Negra, membro do Observatório Capixaba de Juventude e morador de Cariacica/ES. De acordo com a Organização das Nações Unidas(ONU),“entende-se por genocídio qualquer dos seguintes atos, cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, tal como: a) assassinato de membros do grupo; b) dano grave à integridade física ou mental de membros do grupo; c) submissão intencional do grupo a condições de existência que lhe ocasionem a destruição física total ou parcial; d) medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e) transferência forçada de menores do grupo para outro”(ONU, 1948). Através dessa definição não é exagero algum afirmar que o povo negro brasileiro é alvo de um projeto genocida que se manifesta de forma implacável, principalmente contra a juventude negra. Este projeto é estruturado a partir da ideologia racista que faz com que um segmento étnico da população considerado superior, por conta de suas características fenotípicas ou culturais dominantes, com intuito de conduzir e subjugar um outro segmento, tido como inferior, lança mão de diversos institutos que por conseguinte provoca sérias conseqüências a sobrevivência desta parcela populacional. A face deste projeto genocida pode ser aferida por diversos aspectos, mas é inegável que o extermínio da juventude negra nesta conjuntura representa sua manifestação mais perceptível. Este extermínio que pode ser considerado como a morte sistemática, física e simbólica de jovens negras e negros, representada tanto pelas altíssimas taxas de homicídios quanto pelas várias nuances que violam sua dignidade nas mais variadas dimensões. Este projeto possui raízes históricas que outrora respaldadas pela prática escravista, permitia o controle mercantil dos nossos corpos, atualmente se manifesta principalmente através do sistema de justiça criminal, que por meio do seu caráter seletivo e racista, produz cotidianamente um amontoado de corpos negros juvenis criminalizados, enterrados ou encarcerados. Tudo isso ocorre com a anuência e operacionalização do Estado brasileiro. Suas agências de segurança pública e justiça são as principais responsáveis pela manutenção deste ciclo. Por outro lado, à falta de respostas concretas dos demais setores governamentais, alimentam esse processo e, por conseguinte, são incapazes de revertêlo. Sendo assim, torna-se imprescindível conhecermos toda essa estrutura para pensar estratégias possíveis no sentido de dar continuidade ao processo de resistência protagonizado secularmente pelo povo negro brasileiro. Não podemos naturalizar a perda de nossos irmãos e irmãs e nos contentarmos com“pequenos avanços”. É necessário ousar e seguir adiante, sob pena de convivermos diariamente com a dor, a solidão e a revolta de ver nossas vidas e potencialidades enterradas em covas rasas. Matar membros seus... Segundo dados do Governo Federal, o Brasil tem uma população jovem de aproximadamente 50 milhões de pessoas. Ao ano, cerca de 100 Politicas Publicas para Juventude
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Juventudes negras do Brasil : trajetórias e lutas : observatório de juventudes negras
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