O Hip Hop de ontem pra hoje O HIP HOP DE ONTEM PRA HOJE Antonio Bo (Mestre de Cerimönia, Produtor e Educador Social) Trataremos um pouco aqui da essência de um movimento político, anti discriminatório, e amplamente envolvido nas questões sociais e culturais desde sua aparição, e faremos um breve estudo das mudanças ocorridas no movimento hip hop brasileiro e nas transformações que essas mudanças trouxeram nos últimos anos. Buscaremos, para tanto, fugir da estigmatizada e dicotômica visão “desocupados e violentos” que os meios de comunicações imputam aos jovens periféricos e, num mesmo movimento, reexaminar as experiências culturais desenvolvidas nessas localidades que, com suas práticas sociais, têm dado suporte para a constituição de novos sujeitos sociais. Quando África Bambaata cria o termo hip-hop para se referir aos encontros dos dançarinos, DJs e MCs nas costumeiras reuniões que aconteciam no Bronx, estava, por um lado, contribuindo para pôr término às brigas das gangues muito comuns nesses encontros e, por outro, incentivando a formação de uma nova identidade social para aqueles jovens banidos da vivência cívica. Congregados, agora, em torno de valores comuns, esses jovens abandonam as rixas entre gangues para divulgar suas experiências de vida por meio do canto e da dança, forjando uma nova maneira de ser e dando visibilidade a um mundo até então pouco conhecido para a maioria da população. No Brasil, a chegada desse fenômeno guarda similaridades com o seu surgimento nos EUA; aqui, como lá, a música e a dança também foram os elementos de aproximação e integração entre os jovens. Contudo, enquanto no hemisfério norte a linha majoritária do hip-hop canta a riqueza e o glamour daquela sociedade, no sul volta-se para a pobreza e as misérias cotidianas de suas localidades. Isso não deixa de ser relevante, já que, pela primeira vez na história de nossa música, o lado esquecido da sociedade, isto é, a periferia, está sendo ampla e detalhadamente analisado por seus próprios agentes. Devemos destacar sua atuação tanto nos EUA quanto na forma de uma cultura mundial de contestação, e demonstrar sua incorporação e contextualização aos processos seculares de resistência das camadas mais pobres da sociedade, destacando sua ação política e transformadora de ênfase racial/étnica e juvenil, a partir das periferias das cidades brasileiras. A partir da década de 80 o hip hop torna-se presença ativa em várias partes do mundo, tornando-se uma manifestação cultural adotada por jovens em vários países, independente de origem racial/étnica, religiosa, política, etc, como maneira de se fazer ouvir e notar enquanto sujeitos sociais ativos e constituintes das sociedades que habitam(African rap to global hip hop, David Tood 2000) O hip hop surge e se torna parte das culturas na França, Espanha, Alemanha, Japão e no Brasil, numa liberação de linguagens descontentes com as políticas locais. Um estilo gerado nas ruas para as ruas, estilo fora dos padrões apregoados nas escolas, festas ou na grande mídia. A gênese do que viria a ser o movimento hip hop brasileiro surge no final dos anos 70, início da década de 80, momento da chamada eclosão dos“novos movimentos sociais”; por meio do Break, no centro 119 Identidade e Experiências Locais
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Juventudes negras do Brasil : trajetórias e lutas : observatório de juventudes negras
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