Periferias, Cultura e Política A centralidade dos grupos periféricos para a construção de um horizonte mais democrático Victoria Lustosa Braga A cultura periférica se faz presente nas manifestações artísticas urbanas como o hip-hop, os slams e os saraus, mas está também na preservação do modo de vida de povos e comunidades tradicionais, nas quebradeiras de coco, na capoeira, no samba, na literatura de cordel, no maracatu, na congada e nos mais diferentes modos que os sujeitos periféricos utilizam para preservar suas tradições, oferecer lazer e arte às comunidades, realizar denúncias da violência estrutural de um cotidiano que marginaliza essa população e praticar a ação política. Não à toa, o incentivo público à cultura e às diferentes formas de manifestação artística que caracterizam nosso país incomodam tanto os setores conservadores da sociedade e as políticas públicas culturais estão sempre entre as primeiras a serem enfraquecidas ou paralisadas quando a direita ascende ao poder, à exemplo da tentativa de extinção do Ministério da Cultura no pós-golpe, em 2016, e de sua extinção em 2019. A proposta deste texto é apresentar alguns dos acúmulos das discussões sobre cultura realizadas pelo Projeto Reconexão Periferias, que desde seu início tem enfatizado o significado histórico da cultura para as populações e territórios periféricos. A relação entre cultura e política é especialmente importante para nós, tendo em vista que a cultura possui um valor político para além do valor artístico, e que os produtores e os espaços culturais protagonizam ações
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