1. O manual dos iliberais é previsível. Atores de extrema direita em diversos contextos empregam estratégias retóricas notavelmente semelhantes: deslegitimar rivais, politizar tribunais, atacar a independência da mídia. Essa consistência torna a ameaça identificável e, portan to, passível de ser enfrentada. 2. O contágio é real e rastreável. O padrão de gradiente da Espanha sugere uma acomodação da direita tradicional à retórica da extrema direita, particularmente na mídia e nos mecanismos de controle e equilíbrio de poder. A menor força da direita tradicional na Argentina mostra como a fragmentação institucional afeta os caminhos de contágio e pode até mesmo revelar efeitos generalizados de contágio em todo o espectro ideológico. Compreender essas dinâmicas permite intervenções direcionadas. 3. O discurso é um sinal de alerta precoce. Quando as políticas restritivas são aprovadas, a batalha discursiva já está perdida. Nosso marco de análise funciona como uma ferramenta de diagnóstico, identificando onde a retórica iliberal está sendo normalizada antes que se torne lei ou mesmo que tenha expressões vio lentas fora das instituições. tas para identificar vulnerabilidades antes que elas se trans formem em crises. Expandir essa estrutura para a Itália, o Brasil e outros países representa um próximo passo para ma pear o repertório global de discursos iliberais e direcionar re cursos para onde eles são mais necessários. Referências Abou-Chadi, T. e Krause, W. (2020): The causal effect of radical right success on mainstream parties’ policy positions: A regression discontinui ty approach, in: British Journal of Political Science, 50(3): 829–847. Dahl, R. (1971): Polyarchy: Participation and Opposition. Yale Univer sity Press. Meguid, B.M. (2008): Party competition between unequals: Strategies and electoral fortunes in Western Europe. Cambridge University Press. Mudde, C. (2019): The far right today. Polity Press. Newth, G. e Scopelliti, A. (2025): Common sense, populism, and reaction ary politics on Twitter: An analysis of populist far-right common sense narratives between 2008 and 2022, in: Party Politics, 31(2): 375–391. Rovira Kaltwasser, C., Espinoza, G., Meléndez, C., Tanscheit, T. e Zanotti, L. (2024): Apoyo y rechazo a la ultraderecha: estudio comparado sobre Argentina, Brasil y Chile. Fundación Friedrich Ebert en Chile. Available at: https://library. fes. de/pdf-files/bueros/chile/21406. pdf. Recomendações: onde concentrar os esforços na defesa democrática Com base nessas constatações, recomendamos que os for muladores de políticas e a sociedade civil priorizem os se guintes pontos: → Proteja o ecossistema da informação. A mídia e a infor mação alternativa são as áreas mais disputadas em am bos os países. Defenda a liberdade de imprensa, apoie o jornalismo independente e combata a deslegitimação sistemática do jornalismo baseado em fatos. → Garanta a responsabilização horizontal. Os ataques à in dependência judicial e aos mecanismos de controle e equilíbrio de poderes são frequentes em todos os blocos. Fortalecer a resiliência institucional, documentar os ataques retóricos aos tribunais e construir coalizões para defender o Estado de direito. → Monitore a acomodação da política tradicional. Observe se os partidos de centro-direita adotam noções de ex trema direita. A detecção precoce do contágio permite mensagens corretivas e a formação de coalizões para re sistir à normalização. → Desenvolva contranarrativas. A retórica iliberal triunfa pela repetição. Os atores democráticos devem consider ar de forma proativa a contestação e o pluralismo como pontos fortes, não como obstáculos. Ao mensurar sistematicamente o discurso iliberal, esta abor dagem começa a fornecer aos atores democráticos ferramen Rastreando o discurso iliberal 5
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Rastreando o discurso iliberal: como a retórica da extrema direita erode a democracia antes que as políticas restritivas entrem em vigor
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