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O espantalho do comunismo: compreender e confrontar a retórica anticomunista na política contemporânea
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(i) Anticomunismo afetivo se refere à hostilidade visceral e emocional em relação ao comunismo. Abrange a re­jeição simbólica incluindo desconfiança, desprezo e ódio que muitas vezes está enraizada na memória histórica, no estigma cultural ou na identidade. (ii) Anticomunismo instrumental se refere a uma rejeição pragmática do comunismo como um modelo político ou econômico viável. Nesse sentido, os indivíduos podem não sentir uma hostilidade emocional particularmente forte, mas ainda assim consideram as ideias comunistas perigosas ou contraproducentes no contexto atual. Na análise comparativa que fundamenta este relatório, ambas as dimensões foram medidas por meio de pesquisas com representatividade nacional no Chile (2021), no Peru (2024), na França (2024) e na Itália (2022). O anticomunis ­mo afetivo foi operacionalizado usando escalas emocionais (por exemplo, admiração versus desprezo), enquanto o an­ticomunismo instrumental foi avaliado por meio da concor­dância com a afirmação«as ideias comunistas têm algo a contribuir para a política do meu país». Essas medidas permitem uma compreensão mais precisa de como o anticomunismo opera, não como uma relíquia histórica, mas como uma atitude política duradoura que molda o comportamento eleitoral. Anticomunismo(afetivo) Ideologia Liberalismo Securitarismo –4 –2 0 Anticomunismo(instrumental) Ideologia Figura 1 2 4 Figura 2 Quem são os anticomunistas? Fatores ideológicos e psicológicos Utilizando análises de regressão em quatro pesquisas nacionais, vários padrões emergiram em relação aos fun­damentos ideológicos e psicológicos das atitudes antico­munistas. Esses resultados são representados visualmen­te em figuras que apresentam os coeficientes de regres­são para ambas as dimensões do anticomunismo(afetiva e instrumental) na Itália, na França, no Chile e no Peru. Os valores no eixo horizontal variam de-4 a+4 e repre ­sentam a força e a direção da associação entre as variá­veis. Valores positivos indicam uma relação mais forte com as atitudes anticomunistas, enquanto valores nega­tivos refletem o oposto. O anticomunismo afetivo está mais fortemente associa­do, no Chile, no Peru e na França, à autoidentificação ideológica de direita . Na Itália, contudo, essa rejeição emocional aparece entre pessoas de esquerda , sugerin­do que o significado simbólico do comunismo varia con­forme o contexto. Ele se correlaciona positivamente com o conservadorismo na França e no Chile, e com o libera­lismo na Itália e no Peru. Por vezes, está ligado a atitu­des«securitárias» (uma visão de mundo que enfatiza a lei e a ordem, juntamente com a punição), notadamente na França e no Peru, mas não na Itália. Liberalismo Securitarismo –4 –2 0 2 4 o anticomunismo instrumental é mais direto. Ele se correlaciona consistentemente nos quatro países com orientações de direita, conservadoras e securitárias . 1 Emerge como um marcador particularmente claro de gru­pos de extrema direita, mais do que a dimensão afetiva. Em outras palavras, o anticomunismo afetivo uma rejei­ção emocional ao comunismo enraizada na memória cul­tural, no estigma simbólico ou na identidade tende a ser mais amplo, mais ambíguo e potencialmente acessível a eleitores de centro ou mesmo de esquerda, dependendo do contexto nacional. Isso pode ocorrer porque a aversão 1  No Chile, o questionário não incluiu perguntas sobre securitarismo. O espantalho do comunismo 2