emocional ao«comunismo» pode persistir como um reflexo cultural, mesmo entre aqueles que apoiam políticas progressistas ou liberais, particularmente quando o comunismo está associado a traumas históricos ou desaprovação moral. Por sua vez, o anticomunismo instrumental – a rejeição pragmática das ideias comunistas por serem consideradas politicamente prejudiciais ou ameaçadoras – é mais coerente ideologicamente e está inequivocamente alinhado com a extrema-direita. Reflete uma postura calculada contra as agendas políticas percebidas como de esquerda e, portanto, está mais fortemente ligado a visões de mundo conservadoras, securitárias e autoritárias. Por que o anticomunismo importa: consequências eleitorais Uma das principais contribuições desta pesquisa é demonstrar que ambas as formas de anticomunismo predizem o comportamento eleitoral, embora de maneiras diferentes. O anticomunismo afetivo aumenta a probabilidade de votar não apenas em partidos de extrema direita como o Rassemblement National(França) e a Lega(Itália), assim como em candidatos presidenciais de extrema direita como o pinochetista José Antonio Kast(Chile) e o empresário ultraconservador ligado ao Opus Dei López Aliaga (Peru), mas também em candidatos de direita tradicional ou liberais(econômicos), como o economista neoliberal Hernando de Soto(Peru) e Sebastián Sichel do Chile Vamos(Chile). O anticomunismo instrumental, no entanto, prevê sobretudo votos de extrema direita . Especificamente, é um indicador significativo de apoio ao Rassemblement National na França, à Lega na Itália, a José Antonio Kast e ao Partido Republicano no Chile, e a Rafael López Aliaga e à Renovación Popular no Peru. Desempenha um papel menos importante na previsão de preferências de centro-direita ou liberais, que tendem a ser mais influenciadas pelo anticomunismo afetivo. A principal conclusão é que o anticomunismo não se restringe a extremistas. Enquanto o anticomunismo instrumental funciona como um filtro seletivo para o apoio à extrema direita, o anticomunismo afetivo amplia a ressonância emocional da retórica da extrema direita para eleitorados conservadores mais amplos. Esse duplo mecanismo – ressonância emotiva e ameaça pragmática – explica por que atores de extrema direita persistem em invocar o comunismo, mesmo que os comunistas não detenham poder político real. Anticomunismo(afetivo) França Chile Figura 3 Esquerda/ Direita Esquerda/ Direita –4 –2 0 2 4 –4 –2 0 2 4 Rassemblement National Les Républicans Ensemble Kast Sichel Itália Peru Esquerda/ Direita Esquerda/ Direita –4 –2 0 2 4 Lega Fratelli Forza –4 –2 López Aliaga 0 K. Fujimori 2 4 de Soto O espantalho do comunismo 3
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O espantalho do comunismo: compreender e confrontar a retórica anticomunista na política contemporânea
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