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O espantalho do comunismo: compreender e confrontar a retórica anticomunista na política contemporânea
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Anticomunismo(afetivo) França Esquerda/ Direita Chile Esquerda/ Direita Figura 4 –4 –2 0 2 4 –4 –2 0 2 4 Rassemblement National Les Républicans Ensemble Kast Sichel Itália Peru Esquerda/ Direita Esquerda/ Direita –4 –2 0 2 4 Lega Fratelli Forza –4 –2 López Aliaga 0 K. Fujimori 2 4 de Soto Por que isso importa para a Europa e a América Latina O apelo duradouro do anticomunismo, especialmente em regiões onde não existe um partido comunista ou onde ele foi«domesticado»(como na Itália e na França), deve alertar os atores progressistas e centristas para um ponto cego crítico. Em ambos os continentes, líderes da extrema direita usam com sucesso o«comunismo» como um termo flutuante, um rótulo vazio ao qual associam seus medos: intervenção estatal e tributação(França); (excesso de) regulamentação ambiental(Itália); ameaças à segurança e terrorismo(Peru); e colapso econômico e caos social(Chile). Essa elasticidade retórica permite que o«comunis­mo» represente praticamente qualquer política que desafie a ortodoxia neoliberal, o conservadorismo so­cial ou a soberania nacional. Por sua vez, isso ali­menta a polarização, deslegitima as reformas e dis­torce o debate democrático. Recomendações de políticas 1. Não descartar a retórica anticomunista como mera­mente anacrônica . O apelo emocional e instrumental do anticomunismo é real, mensurável e tem consequ­ências políticas. Progressistas e centristas que o igno­ram fazem isso por sua própria conta e risco. 2. Desvincular as agendas de esquerda dos imaginá­rios da Guerra Fria . A ação climática, a justiça social e a saúde pública devem ser defendidas como políti­cas pragmáticas e voltadas para o futuro, e não como resquícios de uma ideologia obsoleta. As estratégias de comunicação devem desvincular preventivamente essas propostas de estereótipos«comunistas». 3. Expor a manipulação simbólica por trás do discurso anticomunista . Organizações da sociedade civil, veri­ficadores de fatos e intelectuais devem destacar como atores da extrema direita usam«comunismo» como um termo pejorativo genérico, desvinculado de conte­údo ou contexto reais. As contranarrativas devem en­quadrar essa retórica como uma ferramenta de disse­minação do medo e de distração. O espantalho do comunismo 4